Gatil Vale dos Fáraós- Exóticos , Persas, Orientais e Siamêses

Para minimizar o sofrimento de seu animal de estimação e as idas ao veterinário, frequentemente os proprietários tomam uma decisão que nem sempre é a mais indicada... a automedicação.

O dono sempre quer ajudar seu animal quando vê seu bicho doente, mas não sabe que muitas vezes pode acabar colocando a vida dele em risco.

 

 

A automedicação, tanto para animais como para os seres humanos não deve ser feita ou ainda recomendada por balconistas de agropecuárias e casa de ração, atendentes de pet-shops ou farmacêuticos, pois esses não têm nenhum embasamento acadêmico e clínico para avaliar qual e a quantidade do medicamento a ser empregado em cada caso. Eles podem errar na dose e no intervalo entre elas, dar um remédio proibido para animais ou para determinada espécie ou ainda indicar a droga errada para determinada patologia, complicando ainda mais o quadro do doente. Como exemplo muito comum posso citar o caso de inibidores de cio e vermífugos injetáveis.

No caso dos felinos, isso se agrava, pois muitos medicamentos causam elevada toxicidade. Eles não conseguem metabolisar algumas drogas pela deficiência na conjugação do acido glicurônico que biotransforma os medicamentos no fígado. Esses medicamentos não conseguem ser eliminados se acumulando no organismo e sobrecarregando o sistema renal e hepático. Outra forma de intoxicação nos gatos é através da deficiência no transporte de oxigênio ( transformação da hemoglobina oxidada em meta hemoglobina) que causa anemia hemolítica.

Citarei alguns medicamentos que podem levar seu cão e gato a um quadro grave de intoxicação (e até morte) e suas conseqüentes complicações clinicas:

Paracetamol (Tylenol, Naldecon): causa necrose no fígado e oxidação de hemácias, levando a sintomas como cianose ( mucosas azuladas pela falta de oxigênio), respiração rápida, icterícia ( mucosas amarelas), vomito, salivação, dor abdominal e edema de face ( cara inchada).

Fenilbutasona (Mioflex) e Diclorofenaco de sódio ou potássio (Voltaren, Cataflan, Biofenac) e a outros antiinflamatórios: anemia, úlcera gastrointestinal, vômito com sangue, fezes enegrecidas, anorexia e dor abdominal.

Acido acetil salicílico (Aspirina, AAS, Melhoral): vômito com sangue, febre, úlcera gástrica, depressão respiratória, lesão renal, diminuição do tempo de coagulação sanguínea, hipoplasia de medula óssea, coma e morte.

Azul de metileno (Sepurim): causa anemia e grave intoxicação hepática e renal.

Parasiticidas ( Organofosforados e Carbamatos): presentes em sabonetes, xampus, talcos e remédios antipulgas e anticarrapatos. (Podem ser citados Pulfin, coleiras antipulgas, mata-bicheiras, Butox): Atacam o sistema nervoso central e periférico, inativando a acetilcolinesterase. O animal apresentará salivação, dificuldade respiratória, vômito, tremores, depressão, convulsões, coma e morte.

Amitraz: substância presente em soluções contra sarna e carrapatos. Em altas doses pode levar a um quadro de depressão cardiorespiratória, vômitos, apatia, dificu ldade de locomoção, hipotensão, convulsões e coma.

Fenóis: encontrados em desinfetantes causam salivação, respiração rápida, fraqueza, incoordenação motora, tremores choque, perda de consciência, insuficiência renal e hepática, urina esverdeada ou enegrecida, úlcera de córnea.

Benzocaína e Tetracaína: são drogas encontradas em anestésicos locais podendo causar anemia hemolítica cianose e convulsões em gatos.

Antibióticos: se usados indiscriminadamente podem não funcionar efetivamente “perdendo o efeito” . Podem ser tóxicos para cães e gatos com no caso de sulfas e cloranfenicol.

Creolina e óleo queimado não são recomendados em hipótese alguma para curar qualquer doença!

Procure sempre tirar as duvidas com o Médico Veterinário responsável pelo estabelecimento. Ele é o único profissional capaz de orientá-lo corretamente.

 

Dra. Débora de S. Penteado Cordeiro.

Médica Veterinária

www.valedosfaraos.com.br

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