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Saúde Animal

Intoxicação em gatos - envenenamento

Gatil Vale dos Fáraós- Exóticos e Persas

Intoxicação em gatos - envenenamento

Os gatos são por natureza territorialistas e muito curiosos, exploram seu ambiente expondo-se acidentalmente a vários agente venenosos. Apesar de possuírem hábito alimentar bem seletivo, podem ingerir alimentos com toxinas (estragados), plantas e inseticidas.

Entretanto, um dos principais fatores que levam a suscetibilidade dos felinos a vários componentes tóxicos se relaciona diretamente a capacidade de metabolização dos agentes, tais como medicamentos, substâncias químicas domésticas e toxinas ambientais.

A metabolização de um composto pode prosseguir em diferentes vias no indivíduo como na fase I envolvendo oxidação, redução e hidrólise.Na fase II o processo é por meio de síntese ou conjugação em que alguns grupos de glicuronida e sulfato por exemplo, são acrescentados aos xenobióticos, facilitando sua eliminação.

Sabe-se que pela deficiência da enzima uridino-difosfato-glicuronil-transferase (UDP), os felinos são incapazes de metabolizar muitas substâncias em derivados de xenobióticos e conjugados de glicuronídeos com o ácidos glicurônico.e essas se tornam tóxicas.

Na maioria das espécies o acido glicurônico é transferido para outros compostos orgânicos tais como metabólitos de glicuronideos, importantes na sintetização dos fenóis, morfina, ácido salicílico, cloranfenicol e determinadas sulfonamidas.

Assim uma droga ou substancia química pode se acumular no organismo do gato e se os trajetos alternativos forem incapazes de lidar com essa molécula especifica, há intoxicação.

Agentes de toxinas específicas

Raticidas

É muito comum através da caça de roedores que tenham ingerido raticidas, os gatos se envenenarem. A exposição dos animais a uma variedade de meios, incluindo preparação negligente de iscas, envenenamento secundário e por eventuais intenções maliciosas.

Os raticidas mais comuns que causam problemas de envenenamento são :

1-Cumarínicos: São produtos que atuam na coagulação sanguínea. Extremamente potentes, inibem uma enzima que ajuda a vitamina K a se ligar nos receptores celulares, reduzindo a absorção da mesma , tendo como conseqüência hemorragias nos animais que ingerem esse tipo de veneno.

São compostos das famílias das warfarinas e bromadiolonas sendo que a segunda é a mais potente, produzindo efeito duradouro e prolongado.

Os animais apresentam sinais de envenenamento como sangramento oral, nasal, hematomas ( manchas roxas) na pele, falta de ar ( dispnéia), ascite ( barriga d’ água).

O tratamento é feito com fluidoterapia ( administração de soro ) anticoagulantes e vitamina k.

2- Estricnina: É uma droga extremamente potente que causa morte em poucos minutos. Age nas células nervosas da medula óssea e espinhal, modificando respostas sensoriais e motoras.

Os sinais clínicos incluem ansiedade, hiperestesia, musculatura tensa, convulsões após estimulação com toque, luz ou ruídos altos, espasmos tetânicos em decúbito lateral. (o animal deita-se de lado esticando as pernas e ficando duro), orelhas retas, dilatação pupilar e opstótono. Na ausência de tratamento a morte é certa em 2 horas.

O tratamento consiste em controlar as convulsões e fazer com que a eliminação da droga pelo animal seja rápida. Deixar o animal em um lugar sem barulhos e escuro para diminuir os estímulos sensoriais e mantê-lo aquecido.

3- Alfa-cloratose: Esse composto geralmente é usado para eliminar aves e roedores que se alimentam de carniça.

Age no sistema nervoso, causando depressão da atividade neuronal, reduzindo a resposta de excitação ns animais envenenados em doses altas. Nas doses baixas causa excitação e agressividade e depois letargia, fraqueza e dificuldade respiratória

(dispnéia).

O tratamento é sintomático.

4- Colecalciferol: O Colecalciferol é a vitamina D, que em altas doses provoca deposição de cálcio em vários órgãos como nos rins. A dose tóxica é relativamente baixa.

Os gatos apresentam sinais de intoxicação, geralmente após dois dias de ingestão. São eles vômito, diarréia, fraqueza, insuficiência renal e calcificação metastática em vários órgãos.

O tratamento consiste em controlar e minimizar a absorção de cálcio, manutenção da função renal.

5- Tálio: Também é um raticida muito potente, banido em diversos países devido sua ação mortal.

Age na transmissão nervosa e na função mitocondrial.

Os sinais de intoxicação por Tálio incluem diarréia, vomito, dor abdominal acentuada, alterações nervosas, coceira ( eritema), erupções cutâneas (feridas na pele), alopecia

(regiões sem pelo).

O tratamento quase sempre é ineficaz, tentando reduzia a absorção da droga pelo organismo.

Inseticidas

1- Organofosforados e Carbamatos: São os compostos mais comuns que causam envenenamento nos gatos.

São encontrados nas coleiras, spot-ons e sprays anti-pulgas e carrapatos disponíveis em lojas de produtos para animais. Por falta de conhecimento pelo balconista da loja ou do proprietário do animal, seu uso indiscriminado provoca intoxicação nos gatos.

Os dois compostos têm ação na inibição da enzima acetil-colinesterase, superestimulando receptores nicotínicos da musculatura esquelética.

O quadro clínico se caracteriza por ansiedade, hiperexcitabilidade, vomito, diarréia, polaciúria ( muita quantidade de xixi), dor abdominal, pupilas contraídas, excesso de lambedura e salivação, depressão do sistema nervoso central, convulsões, fraqueza e paralisia muscular.

O tratamento é feito com drogas anticonvulsivas e anestésicos.

2- Organoclorados: Esse composto hoje em dia é pouco usado, devido sua proibição internacional. Houve casos de intoxicação acidental com o DDT que causa sintomatologia muito semelhante aos organofosforados e carbamatos.

3- Piretrinas e Piretroides: São inseticidas muito usados como anti-pulgas tópico em gatos. Apesar de sua margem de segurança ser alta, gatos podem apresentar quadros de intoxicação. O composto age no SNC ( sistema nervoso central), causando letargia e debilidade, salivação, ataxia, convulsões e tremores.

O tratamento é sintomático a base de anticonvulsivos e atropina.

Moluscicidas e Herbicidas

Metaldeido: É um composto utilizado em jardinagem que mata caramujos e lesmas. Geralmente é encontrado em forma de grãos ( peletes) palatáveis aos gatos.

Os sintomas aparecem de 24 a 48 horas após ingestão causando hiperestesia, aumento de temperatura e aumento da freqüência cardíaca, nistagmo, convulsões, tremores, decúbito, opstótono e salivação.

O tratamento é feito com lavagem gástrica, sedação e drogas para o equilíbrio acido-basico do indivíduo.

Metais

1-Chumbo: O chumbo é um metal encontrado com freqüência em tintas, lubrificantes, baterias e brinquedos. Geralmente os acidentes ocorrem com filhotes que ingerem o metal pela mastigação de objetos que contem o mesmo. Ë absorvido pelo intestino e ataca o sistema nervoso e ósseo.

Os sinais clínicos são: diarréia, inapetência, perda de peso, depressão, alteração de marcha, hiperestesia, cegueira, e convulsões.

2- Arsênico: ë encontrado em alguns inseticidas e sua dose letal é bem baixa. Os sinais clínicos demoram alguns dias para aparecerem, podendo causar diarréia e vomito, dor abdominal e fraqueza., polidipsia ( muita sede) , inapetência, hipotermia.

3- Mercúrio: Os quadro de intoxicação com mercúrio estão diretamente ligados a ingestão de alimentos ( peixe) contaminados com resíduos industriais.

Os animais afetados apresentam sinais de neurotoxicidade, vascularização nos pulmões, e deposição do metal em órgãos como fígado e rins.

Medicamentos

1- Salicilatos: Apesar de tolerado em baixa dosagem o ácido-acetil-salicílico ( Aspirina, AAS) pode causar toxicidade nos gatos que apresentam vomito depressão taquipnéia, e aumento de temperatura, hemorragia gástrica, icterícia, incoordenação nistagmo, convulsões, fraqueza, e anemia.

2- Paracetamol ( Tylenol) : Essa droga quando administrada em gatos causa toxicidade pela incapacidade de ser biotransformada, causando um quadro de anemia, depressão, vomito, diarréia, salivação e dispnéia que é dificilmente revertido.

Dra. Débora de S. Penteado Cordeiro

Médica Veterinária

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Dermatite Miliar Felina

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Demartite Miliar Felina

As lesões clássicas da dermatite miliar felina são pápulas pequenas encimadas por crostas focais, mormente em região cervical, ou generalizadas. A dermatite miliar não é um diagnóstico em si mas sim um termo que descreve um padrão de reação cutânea desencada por vários fatores.

As possíveis causas deste quadro mórbido, bem como alguns itens como localização das lesões, maneiras de chegar ao diagnóstico, tratamento e prognóstico estão dispostas a seguir em forma de tabela:

 

CAUSA LOCAIS ACOMETIDOS DIAGNÓSTICO TRATAMENTO PROGNÓSTICO
DAPP

Região lombo-sacra;

partes distais do tronco; disseminado.

Controle de pulgas. Glicocorticóides, anti-histamínicos, controle de pulgas. Bom.
Dermatite atópica Regiões cervical e cefálica. Exclusão de demais alergias; histórico e exame físico; testes intra-dérmicos Glicocorticóides, anti-histamínicos, imunoterapia, ácidos graxos essenciais. Bom, mas exige tratamento vitalício.
Alergia alimentar Regiões cefálica e cervical; disseminado. Dieta de eliminação. Glicocorticóides, anti-histamínicos, ácidos graxos. Bom.
Escabiose Orelhas, regiões cervical e cefálica; região caudal Exame parastitológico de raspado cutâneo Anti-parasitários bom
Cheyletielose Região dorsal do tronco Exame parastitológico de escamas Anti-parasitários bom
Dermatofitose Focais ou disseminadas Tricograma; cultivo micológico de pelame; luz de Wood Anti-fúngicos

Reservado em animais de gatis e gatos Persa.

Bom nos demais casos.

Foliculite bacteriana Pescoço e cabeça Citologia e biópsia Anti-bacterianos bom

Embora as lesões sejam de sejam de  fácil reconhecimento , é fundamental que se chegue às causas de base para que se obtenha a cura definitiva e não haja recidiva. Para tanto, é necessário que se faça a exclusão de cada uma das possíveis causas citadas, e isto envolve a colaboração e adesão do proprietário, bem como o acompanhamento periódico do clínico veterinário.

Fonte site Dermaopet

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